Sustentabilidade em viagens corporativas deixou de ser pauta de relatório de RSE para se tornar uma exigência de clientes, investidores e reguladores. Empresas que não monitoram e reduzem a pegada de carbono das suas viagens de negócios estão ficando para trás em múltiplas frentes: credibilidade ESG, capacidade de atrair talentos e conformidade com frameworks de reporte cada vez mais exigentes. Este artigo apresenta como sair do discurso e implementar uma estratégia concreta de sustentabilidade em viagens corporativas.
Por que as viagens corporativas importam tanto para a pegada de carbono
Viagens aéreas são uma das categorias com maior impacto ambiental nas operações corporativas. Os números são expressivos:
- Um voo de São Paulo para Nova York gera aproximadamente 1,5 tonelada de CO2 por passageiro na classe econômica — o equivalente a mais de 6 meses de uso de um carro popular
- A classe executiva gera de 2 a 4 vezes mais emissões por passageiro do que a econômica, por conta do espaço físico ocupado por assento na aeronave
- Conexões aumentam as emissões em até 30% em comparação com voos diretos para o mesmo destino
- Para empresas com equipes comerciais ou de consultoria que viajam intensamente, as viagens podem representar entre 30% e 70% das emissões diretas da empresa
Ignorar esses dados é incompatível com qualquer compromisso sério de sustentabilidade — e cada vez mais difícil de justificar para clientes, investidores e reguladores que exigem reporte de Escopo 3.
O ponto de partida: medir antes de gerenciar
Você não pode reduzir o que não mede. O ponto de partida de qualquer estratégia de sustentabilidade em viagens é calcular a pegada de carbono atual das viagens corporativas da empresa.
O que você precisa para o cálculo
- Lista de todos os voos realizados nos últimos 12 meses: origem, destino, classe de viagem
- Quilômetros percorridos de carro alugado ou frota própria
- Dados de hospedagem (alguns cálculos mais avançados incluem a pegada dos hotéis)
Ferramentas de cálculo disponíveis
- ICAO Carbon Emissions Calculator: ferramenta gratuita da Organização de Aviação Civil Internacional, específica para aviação
- Atmosfair: calculadora especializada em aviação com metodologia robusta e opção de compensação
- MyClimate: calculadora abrangente que inclui aviação, transporte terrestre e hospedagem
- Plataformas de gestão de viagens: a getFly e outras plataformas modernas registram os dados necessários automaticamente, tornando o cálculo imediato
O resultado do cálculo é expresso em toneladas de CO2 equivalente por ano. Esse número é a linha de base — o ponto de partida para definir metas de redução.
Estratégias práticas de redução: do simples ao estrutural
Substituição inteligente por videoconferência
A pandemia demonstrou que muitas reuniões que exigiam presença física podem acontecer por vídeo com resultado equivalente. A mudança cultural não é fácil, mas é a mais impactante: cada voo eliminado é a redução mais eficaz possível. A pergunta que o gestor deve fazer antes de aprovar qualquer viagem: essa reunião tem o mesmo resultado por vídeo?
Empresas que implementaram essa cultura de forma consistente reportaram reduções de 30% a 40% no volume de viagens — sem impacto nos resultados de negócio. A chave é institucionalizar a pergunta, não apenas sugerir a alternativa.
Consolidação de viagens por destino
Em vez de três viagens curtas ao mesmo destino em três semanas, planejar uma viagem mais longa que atenda a todos os objetivos. Para times comerciais com múltiplos clientes numa mesma cidade, essa prática reduz emissões e custo simultaneamente.
Preferência por voos diretos
Conexões aumentam as emissões em até 30% e o tempo total de viagem em 50% ou mais. Quando a diferença de custo entre o voo direto e o voo com conexão for inferior a 20%, a política de viagens deve priorizar o voo direto.
Classe econômica como padrão
A classe executiva gera de 2 a 4 vezes mais emissões por passageiro. Para voos domésticos e para viagens internacionais com duração inferior a 6 horas, a classe econômica deveria ser o padrão — com exceções por critério claro (hierarquia, condição médica, duração de voo).
Política de trem para trechos curtos
Em destinos onde há opção ferroviária competitiva em tempo — como São Paulo-Campinas ou Rio de Janeiro-São Paulo (quando a linha TAV for inaugurada) — a política de viagens deve priorizar o trem. Em geral, o trem gera entre 6 e 10 vezes menos emissões do que o avião para o mesmo trecho.
Compensação de carbono para viagens inevitáveis
Para viagens que não podem ser substituídas ou reduzidas, a compensação via créditos de carbono certificados é uma forma de neutralizar as emissões. Os padrões mais reconhecidos globalmente são o Gold Standard e o VCS (Verra). Priorize projetos de compensação no Brasil — especialmente preservação de floresta amazônica e restauração de biomas.
A compensação não é a solução ideal — é a última etapa de uma hierarquia que começa pela redução real. Mas é muito melhor do que não fazer nada.
Como reportar: o que ESG e investidores esperam
Enquadramento no GHG Protocol
O padrão global para reporte de emissões é o GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol). Viagens corporativas se enquadram no Escopo 3, Categoria 6 (Viagens de Negócios). O reporte exige dados granulares: emissões por viagem, por classe, por destino e, idealmente, por viajante.
Frameworks de reporte externos
Os principais frameworks que exigem reporte de emissões de viagens corporativas:
- GRI (Global Reporting Initiative): indicador GRI 305-3 (emissões de Escopo 3)
- CDP (Carbon Disclosure Project): Questão C6.5 (emissões de Escopo 3 por categoria)
- TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures): reporte de emissões operacionais e da cadeia de valor
- CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive): regulação europeia que já afeta empresas brasileiras que operam na UE
O que reportar internamente
Além do reporte externo, o reporte interno de sustentabilidade em viagens deve incluir:
- Emissões totais do período (toneladas de CO2e)
- Emissões por área ou centro de custo
- Variação em relação ao período anterior e à meta estabelecida
- Top 10 viajantes por emissão gerada
- Emissões compensadas e projetos de compensação utilizados
Como construir uma meta de redução realista
Metas de sustentabilidade em viagens corporativas precisam ser específicas, mensuráveis e com prazo definido. Um modelo comum para empresas iniciando essa jornada:
- Ano 1: medir e estabelecer linha de base; redução de 10% via substituição por videoconferência
- Ano 2: redução adicional de 15% via consolidação de viagens e política de classe econômica
- Ano 3: compensar 100% das emissões inevitáveis; meta de neutralidade de carbono em viagens
Metas mais ambiciosas — como as alinhadas ao Science Based Targets (SBTi) — exigem reduções de 50% até 2030. Para empresas que querem posicionamento de liderança em sustentabilidade, esse é o benchmark relevante.
Como a getFly apoia a estratégia de sustentabilidade
A getFly registra automaticamente os dados necessários para o cálculo de emissões de cada viagem: origem, destino, classe de viagem e distância percorrida. Com esses dados estruturados disponíveis em tempo real, o gestor consegue gerar relatórios de sustentabilidade sem esforço adicional de coleta.
Nossa plataforma também está desenvolvendo funcionalidades de Carbon Score por viagem — que mostram ao colaborador e ao aprovador o impacto ambiental de cada reserva antes da confirmação, permitindo decisões mais conscientes sem eliminar a autonomia do viajante.
Conclusão
Sustentabilidade em viagens corporativas é mensurável, gerenciável e cada vez mais obrigatória — não apenas como escolha ética, mas como exigência de mercado. Comece pela medição, defina metas realistas, implemente as estratégias de redução de forma gradual e use a tecnologia para tornar o processo sistemático. Empresas que fazem isso hoje constroem vantagem competitiva e credibilidade que serão cada vez mais relevantes nos próximos anos. Se quiser entender como a getFly ajuda a monitorar e reduzir o impacto ambiental das viagens da sua empresa, fale com a gente.