O Brasil está entre os países onde as empresas mais desperdiçam com viagens corporativas — não por falta de tecnologia disponível, mas por processos desatualizados, ausência de política clara e falta de visibilidade sobre onde o dinheiro vai. A ironia é que os dados estão disponíveis, as soluções existem e o custo de mudar é menor do que o custo de continuar. Então por que tantas empresas ainda perdem dinheiro com viagens? Este artigo apresenta um diagnóstico honesto.
Os números que ninguém quer ver
Antes de entrar nas causas, é necessário dimensionar o problema com dados concretos:
- Empresas brasileiras sem processo estruturado de gestão de viagens pagam, em média, entre 30% e 50% mais por passagem do que empresas com processo e tecnologia adequados
- Passagens compradas com menos de 72 horas de antecedência custam, em média, 62% mais do que as compradas com 15 dias — e a maioria das empresas sem política de antecedência compra entre 40% e 60% das passagens em caráter urgente
- Empresas sem política de viagens formalizada têm taxa de não conformidade de 25% a 40% — o que significa que em até 4 de cada 10 viagens, alguma regra de controle de custo está sendo ignorada
- O custo de processar um pedido de reembolso manualmente — incluindo o tempo do colaborador, do gestor aprovador e do financeiro — é estimado entre R$ 35 e R$ 80 por solicitação. Para uma empresa com 100 solicitações de reembolso por mês, isso representa entre R$ 3.500 e R$ 8.000 mensais só em custo de processo
As seis causas reais do desperdício
1. Urgência como padrão, não como exceção
A causa mais simples e mais custosa do desperdício em viagens corporativas é a compra de última hora. Quando não há processo formal de planejamento de viagens — onde as necessidades são mapeadas com antecedência e aprovadas dentro de um prazo mínimo — a urgência se torna o padrão operacional.
O ciclo é perverso: sem planejamento, as viagens são solicitadas em cima da hora. As passagens de última hora custam mais. O orçamento estoura. O gestor corta viagens. As equipes improvisam para contornar o processo. E o ciclo se repete.
A solução é estrutural: uma política de antecedência mínima (5 dias para viagens nacionais, 15 para internacionais) com exceção formal para urgências reais — não urgências criadas por falta de planejamento.
2. Ausência de política de viagens — ou política que existe mas ninguém conhece
Muitas empresas acreditam que têm política de viagens porque existe um documento em alguma pasta do Google Drive. Mas uma política que ninguém conhece ou que é impossível de aplicar no dia a dia é funcionalmente equivalente a não ter nenhuma política.
Dois problemas distintos precisam ser resolvidos: primeiro, escrever uma política que seja clara, objetiva e aplicável. Segundo, comunicá-la de forma recorrente e contextual — especialmente no momento da reserva, quando o colaborador está tomando a decisão de custo.
3. Reembolso como modelo principal de pagamento
O modelo de reembolso — onde o colaborador paga do próprio bolso e solicita ressarcimento depois — tem três problemas estruturais que geram desperdício:
- Ausência de controle prévio: o gestor não aprova o custo antes de ser incorrido — aprova depois, quando o dinheiro já foi gasto e a decisão não pode mais ser revertida
- Incentivo para escolhas subótimas: quando o colaborador sabe que vai ser reembolsado independentemente do valor (dentro de limites nebulosos), o incentivo para economizar é mínimo
- Custo de processo elevado: processar reembolsos manualmente é caro em tempo e em erro — nota fiscal errada, valor diferente, categoria incorreta são problemas que consomem horas do financeiro todo mês
4. Milhas corporativas que ficam paradas
Empresas brasileiras acumulam dezenas de milhões de milhas nos programas de fidelidade das companhias aéreas — e uma parcela significativa dessas milhas expira sem ser utilizada. Por falta de processo, por desconhecimento ou por burocracia interna, o ativo de milhas corporativas fica subutilizado.
O impacto é direto: cada passagem que poderia ter sido emitida com milhas é paga à tarifa de mercado — que pode ser 40% a 60% mais cara. Para uma empresa que viaja frequentemente nas mesmas rotas, o potencial de economia via milhas pode representar dezenas de milhares de reais por ano.
5. Falta de visibilidade — o desperdício invisível
O desperdício em viagens corporativas tem uma característica que o torna difícil de combater: ele é distribuído. Não existe uma única fatura de R$ 200.000 que chame atenção imediata. O dinheiro vai embora em centenas de pequenas decisões — um hotel um pouco mais caro, uma passagem um pouco mais urgente, um reembolso de táxi um pouco exagerado — que individualmente parecem irrelevantes.
Só quando o gestor consolida os dados anuais é que o número total assusta. E mesmo assim, sem visibilidade granular, é difícil saber onde cortar sem impactar as viagens necessárias.
A solução é um dashboard em tempo real que mostra os gastos de viagem por área, por viajante, por destino e por categoria — com benchmarks para identificar onde os desvios são sistemáticos.
6. Ausência de auditoria sistemática
Sem auditoria, o desperdício se instala e se perpetua. Colaboradores que sabem que as despesas não serão revisadas tomam decisões diferentes de colaboradores que sabem que haverá verificação. Não por má-fé — mas porque o incentivo para economizar o dinheiro da empresa é muito menor do que o incentivo para economizar o próprio dinheiro.
Uma auditoria mensal, mesmo que amostral (20% das despesas), muda o comportamento da equipe e identifica padrões de não conformidade que podem ser corrigidos.
O custo de não mudar — em números concretos
Para tornar o impacto concreto, considere uma empresa com R$ 600.000 de gasto anual em viagens corporativas (valor típico para uma empresa com 30 a 50 viajantes ativos):
- Uma redução de 20% via política de antecedência mínima: R$ 120.000 por ano
- Uma redução adicional de 10% via uso sistemático de milhas: R$ 60.000 por ano
- Uma redução de 5% via auditoria e conformidade com política: R$ 30.000 por ano
- Eliminação do custo de processo de reembolso manual (estimativa conservadora): R$ 36.000 por ano
Total: R$ 246.000 por ano — 41% do gasto total de viagens. Esse dinheiro vai para produto, contratação ou distribuição. Cada mês sem mudança representa R$ 20.500 de oportunidade não aproveitada.
Por que é difícil mudar — a raiz do problema
Se os dados são claros e as soluções existem, por que tão poucas empresas fazem a mudança? Algumas razões honestas:
- O problema não tem dono claro: viagens corporativas ficam numa zona cinzenta entre financeiro, RH e operações. Quando ninguém é dono do problema, ninguém toma a iniciativa de resolver
- Resistência cultural: implementar política e processo em quem tem costume de viajar sem regras gera atrito. O gestor que implementa a política assume o desgaste de ser o “vilão da burocracia”
- Subestimação do impacto: sem os dados consolidados, o gestor financeiro não sabe exatamente quanto está sendo desperdiçado — e projetos que não têm ROI claro têm dificuldade de ganhar prioridade
- Complexidade percebida: a percepção de que implementar uma plataforma de gestão de viagens é um projeto complexo e demorado desencoraja a iniciativa — mesmo quando na prática o processo é mais simples do que se imagina
Como a getFly resolve esses problemas na prática
A getFly foi criada para resolver exatamente esse diagnóstico. Nossa plataforma centraliza toda a gestão de viagens — solicitação, aprovação, emissão e relatórios — numa única ferramenta com IA nativa. A política de viagens fica integrada ao fluxo de compra: o colaborador vê automaticamente o que está dentro e fora da política ao fazer a busca.
A emissão com milhas acontece automaticamente: nossa IA identifica quando há disponibilidade de milhas para cada trecho e apresenta essa opção ao lado da tarifa de mercado, com a economia calculada em tempo real.
O resultado médio para nossos clientes é uma redução de 25% a 40% no custo total de viagens nos primeiros 12 meses — com menos esforço operacional do time financeiro e mais satisfação dos colaboradores com o processo.
Conclusão
O desperdício com viagens corporativas nas empresas brasileiras não é inevitável nem irreversível. É o resultado previsível de processos desatualizados que podem ser modernizados — com tecnologia acessível, política clara e vontade de mudar. O primeiro passo é entender onde o dinheiro vai. O segundo é implementar as ferramentas certas para mudar. Se você quer um diagnóstico gratuito do potencial de economia das viagens da sua empresa, fale com a getFly.









